Sebastião nasceu no interior de Goiás e chegou à capital ainda jovem, com uma
mala de roupas e a vontade de construir a vida com as próprias mãos. Marceneiro
de ofício, abriu a sua oficina no Setor Central e por mais de quarenta anos
encheu as casas do bairro de móveis feitos com capricho — cada peça, dizia ele,
carregava um pouco de quem a encomendou.
Casou-se com Dona Luzia, com quem dividiu quarenta e oito anos de parceria,
quatro filhos e uma penca de netos. Era homem de poucas palavras e muitos
gestos: consertava o brinquedo do neto sem que ninguém pedisse, guardava a
melhor fruta para as visitas e nunca deixava faltar café na oficina.
Torcedor fiel, jogador de dominó nas tardes de sábado e contador de causos,
Seu Tião deixou um legado de trabalho honesto, generosidade silenciosa e a
lição de que uma vida bem vivida se mede pelo bem que se faz aos outros.



